Laser SLT

Uma opção de tratamento para o Glaucoma e que vem ganhando cada vez mais adeptos é a Trabeculoplastia Seletiva a Laser ou SLT. É um procedimento realizado com laser Q-switched, Nd:YAG com comprimentos de onda de 532nm, de frequência dupla, com duração de pulso de 3 nanosegundos e diâmetro fixo de spot de 400μm. A SLT é realizada sob anestesia tópica, recorrendo a uma lente de gonioscopia espelhada. O mecanismo de ação da SLT é conhecido por fototermólise seletiva, um conceito descrito pela primeira vez por Anderson e Parrish, em 1983. A fototermólise seletiva consiste na indução de dano térmico por laser dirigido a alvos pigmentados num tecido irradiado uma trabeculoplastia seletiva com a aplicação de um laser.

Estudos histológicos têm mostrado que o tecido da malha trabecular permanece praticamente intacto após a sua exposição à SLT, tendo-se observado apenas disrupção de células endoteliais trabeculares. Este dano mínimo na estrutura da malha trabecular sugere que a redução da PIO via SLT se deve a mecanismos que ocorrem a um nível celular.

O estudo piloto da SLT mostrou que 77% dos 53 olhos com glaucoma de ângulo aberto estudados apresentaram uma redução da PIO após a SLT em cerca de 25%.Para além disso, a SLT pode reduzir o número de fármacos necessários para manter a PIO alvo por um período até 5 anos, e atrasar a necessidade de intervenção cirúrgica. SLT é aplicada em 50 spots de laser não sobrepostos em 180° da malha trabecular ou 100 spots em 360°.Os autores sugeriram ainda que o tempo para retratamento pode ser tão curto como 6 meses. O sucesso terapêutico (definido como uma redução da PIO ≥ 20%) com o tratamento inicial de SLT de 55% , aumentando a percentagem de sucesso terapêutico para 67%  com o retratamento. Apenas 35% não responderam à segunda SLT após terem respondido ao primeiro tratamento. Para além disso, 68%  que não responderam à SLT inicial responderam à SLT subsequente. A duração média do sucesso terapêutico foi de 6.9 meses para a primeira SLT e de 13.6 meses para a segunda SLT, mostrando que olhos submetidos a retratamento tinham uma duração do benefício clínico superior. Existem poucos dados descritos na literatura sobre o sucesso e eficácia terapêutica de retratamentos subsequentes com a SLT (ou seja, uma terceira ou quarta SLT no mesmo doente). No estudo de Avery et al, 9 dos 42 olhos estudados foram submetidos a uma terceira SLT. A redução média da PIO foi de 3.8 mmHg (18.9%) às 4 semanas e de 3.6 mmHg (17.7%) na segunda visita (média de 4 meses). O terceiro tratamento com SLT teve um sucesso de 56% (5 dos 9 olhos) com uma duração média de 9.2 meses. Compararam a SLT aplicada em 90º,180º e 360º com o latanoprost 0.005% no controlo da PIO em doentes com GPAA e HTO, aos 12 meses, num ensaio clinico randomizado. Uma redução superior a 20% da PIO foi observada em 90% dos doentes tratados com latanoprost, 34% dos olhos submetidos a SLT em 90º, 65% dos olhos no grupo SLT em 180º e em 82% dos olhos do grupo SLT em 360º. Estatisticamente, o latanoprost mostrou-se superior à SLT em 90º e 180º, mas o sucesso foi semelhante entre o latanoprost e a SLT aplicada a 360º.

SLT é considerada um procedimento de baixo risco, sendo os seus efeitos secundários, na maioria das vezes, mínimos e transitórios. Um efeito secundário frequente é o aumento transitório da PIO. Numa revisão sistemática foi reportado um aumento igual ou superior a 5 mmHg em até 28% dos olhos e superior ou igual a 10 mmHg em até 5,5% dos olhos.

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